segunda-feira, 22 de julho de 2019

A situação dos RBs no Titans


Dando prosseguimento ao nosso especial de pré-training camp do Titans, hoje nós vamos responder à pergunta que assola fãs de futebol americano em todo o mundo: RBs importam? Pode ser que sim, pode ser que não, ou muito pelo contrário. O que importa é que Marcus Mariota vai ter ao seu lado em 2019 uma dupla de RBs capaz de realizar grandes jogadas na nossa campanha rumo ao Super Bowl!

Depois de chutar a bunda dos Chiefs no Wild Card da temporada 2017, Derrick Henry prometia muito para o ano passado, mas como todo o ataque, o seu desempenho foi uma verdadeira montanha-russa. Perto da trade deadline, o Titans cogitou trocar o jogador vencedor do Heisman. Não se sabe o que Jon Robinson buscava naquelas negociações, mas ainda bem que elas não deram certo. Nas semanas seguintes, Henry mostrou quão dominante ele pode ser quando utilizado da forma correta. Foram 585 jardas em apenas quatro partidas, com incríveis sete TDs anotados nessa sequência, incluindo aquela obra prima de 99 jardas contra os nossos maiores fregueses.

O que torna Henry um jogador especial é a sua incrível habilidade atlética. Com 1,91m e 112kg, ele consegue atingir velocidades que vários CBs na liga sonham em ter. Dono de uma envergadura superior a de 90% dos RBs que passaram pela NFL nos últimos 30 anos, ele é capaz de lançar longe inúmeros defensores com o seu stiff arm.

Henry tem tudo para se tornar um RB de 1.300 jardas e 10 TDs na NFL, e é uma vergonha que o Titans ainda não tenha ajudado o craque do Alabama a conseguir tais números.

“Tentar derrubar Henry em campo aberto é um convite à humilhação. Ele é forte demais em movimento para que isso aconteça. Apesar do seu tamanho, ele mostrou ser capaz de confundir os defensores com os seus cortes rápidos e sua incrível aceleração”, escreveu o jornalista oug Farrar, do USA Today.

No início da temporada passada, enquanto Henry acumulava corridas negativas, o veterano Dion Lewis foi o responsável pelo jogo terrestre do Titans. Depois de acumular números expressivos com os Patriots em 2017, ele chegou a Nashville prometendo muito, e com quase mil jardas totais fica difícil dizer que ele não entregou, porém eu esperava mais, principalmente correndo com a bola.

Com Henry e Lewis sofrendo em algum momento da temporada, a conclusão que eu chego é que o Titans não conseguiu tirar o melhor de nenhum dos dois jogadores. A culpa foi do OC Matt LaFleur? Da OL que jogou bem abaixo do esperado? Com o Titans indo atrás de dois novos OGs, parece que o time já tem a resposta para essa pergunta.

Em 2019, eu espero ver um Henry com mais de 65% das carregas. Lewis é uma ótima arma para o jogo aéreo seja recebendo ou pegando blitzes no backfield, certamente o ponto fraco de Henry.

As presenças de Lewis e Henry acabam com qualquer oportunidade para os outros RBs no elenco. No Titans desde 2017, David Fluellen só foi notado pela torcida quando conseguiu algum tackle no Special Teams. Para ganhar uma vaga no elenco de 53 jogadores, o calouro Alex Barnes vai precisar mostrar que pode contribuir na cobertura dos punts e nos retornos dos kickoffs.

terça-feira, 16 de julho de 2019

A situação dos QBs no Titans


O seu sofrimento está perto de acabar. Daqui a dez dias, os atletas do Titans retornam ao CT do clube para o início de mais um training camp. A temporada regular só começa em 08 de setembro, mas até lá, os torcedores mais fanáticos vão poder matar a sua saudade com lances dos treinos e jogos de pré-temporada. O futebol americano está de volta, BITCH! 

Até que Mike Vrabel comande o primeiro treino, você vai acompanhar aqui no nosso blog uma série de textos sobre o elenco do Titans. O plano é explicar tudo tintim por tintim para que você não passe raiva lendo, vendo ou ouvindo o que falam sobre o nosso time fora da nossa bolha.

Mais do que nunca, o QB Marcus Mariota vai ser o centro das atenções no training camp. Titular na franquia desde que chegou à NFL, ele vai jogar pela primeira vez sem saber qual é o seu futuro no Titans. Depois de 2016, parecia impossível imaginar que o jogador do Havaí não fosse o nosso franchise QB, porém duas temporadas marcadas por lesões e regressões nas estatísticas agravaram a sua situação. Não é segredo para ninguém que Mariota vai ganhar um novo contrato se jogar bem e se manter saudável. Fontes na liga dizem que o acordo vai render ao vencedor do Heisman ao menos US$ 25 milhões por ano, um valor justo para as estrelas nesta posição.

Independentemente do que aconteça no training camp, Mariota vai receber US$ 20 milhões do Titans nesta temporada. O montante corresponde ao 5th year option que o time aceitou pagá-lo em 2018. À época, a decisão não foi questionada, e até hoje eu penso que foi o melhor a ser feito. Por tudo que apresentou em campo até nos seus piores momentos, Mariota merece uma última chance com a camisa do time. O que me preocupa é se ele vai tê-la ou não.

Quando digo isso, não falo sobre uma possível perda da titularidade. Mesmo se movimentando na off season para trazer o melhor QB reserva da NFL, o Titans acredita que Mariota é o jogador certo para receber os snaps nos 16 jogos da temporada. Então por que ceder uma escolha valiosa no draft para contar com os serviços de Ryan Tannehill por apenas um ano?

Em suas quatro temporadas na NFL, Mariota perdeu nove jogos por conta de lesões. Este número não é tão assustador, mas se você olhar a quantidade de partidas que ele jogou no sacrifício, não vai ser difícil entender por que ficar saudável é o grande desafio na carreira do nosso QB.

Na última temporada, Mariota sofreu a lesão mais grave da sua carreira. Logo no pontapé inicial, em uma jogada rotineira, ele sofreu um hit no cotovelo. O impacto acabou causando uma lesão no nervo ulnar, o que levou o camisa 8 a perder a sensibilidade de dois dedos da mão direita, justamente aquela que ele usa para lançar a bola. Na segunda rodada, Mariota nem relacionado foi. Na semana seguinte, ele viajou até Jacksonville para ficar no banco, porém Blaine Gabbert precisou deixar o campo por conta de uma concussão. Jogando totalmente no sacrifício, sem poder lançar a bola muito longe e com a velocidade necessária para fazer uma espiral perfeita, Mariota ajudou o Titans a vencer o seu maior freguês por 9 a 6.

Altos e baixos marcaram as próximas atuações do nosso QB. Quando parecia que ele finalmente estava saudável, uma lesão no pescoço voltou a colocar a sua temporada em risco. Dores no pé, uma costela fraturada e um ombro parcialmente deslocado também acompanharam Mariota até mais uma lesão no nervo ulnar, dessa vez definitiva para que ele não entrasse mais em campo em 2018.

Olhando o histórico do Mariota, eu não consigo evitar uma comparação com outro QB do Titans. Em suas primeiras quatro primeiras temporadas na liga, Steve McNair perdeu muitos jogos por contusão e por não mostrar em campo o que era preciso para ter sucesso na liga. Com as costas contra a parede, ele comeu a bola em 1999 e levou o time ao Super Bowl, quando a poucas jardas de virar um jogo perdido diante dos Rams.

Estatisticamente, é difícil falar em evolução do Mariota nos últimos anos, mas ele vem aprimorando o seu jogo, principalmente quando se trata de deep balls e movimentação no pocket. Resta a Mariota ser mais agressivo e mais consistente. No ano passado, ele teve uma atuação de gala contra os campeões do Super Bowl, já na semana seguinte tomou algumas decisões questionáveis contra os Bills. O mesmo aconteceu nas partidas seguintes a surra que demos nos Patriots.

Caso tudo dê errado para o Mariota, o Titans vai ter no comando do ataque o veterano Ryan Tannehill, um QB que tem uma carreira semelhante a do seu titular. Menos atlético, porém com um braço mais forte, o camisa 17 já mostrou que pode vencer jogos importantes nesta liga. Assim como Mariota, ele não tem contrato algum com a franquia para 2020.

Quem completa o grupo de QBs é Logan Woodside. Oriundo de Toledo, ele nunca fez um passe na liga desde que se profissionalizou. Não é alguém que pode incomodar os dois veteranos. Vai brigar por uma vaga no roster de 53 jogadores, o que é bastante improvável de acontecer.

domingo, 28 de abril de 2019

Entendendo o draft do Titans


Na primeira edição do draft da NFL em Nashville, eu permito você fazer a brincadeira de que o Titans fez valer o seu mando de campo. Com uma multidão tomando conta das ruas da Cidade da Música, a franquia voltou a mostrar que sabe organizar uma grande festa e que também deseja fazer essa apaixonada torcida sonhar com algo a mais em 2019.

No início do recrutamento, o Titans tinha uma escolha em cada uma das seis primeiras rodadas, e foi assim que o time terminou o draft. Desde que chegou à franquia, o GM Jon Robinson mostrou que não tem medo de trocar diversos picks para adquirir o jogador que deseja. Em 2018, ele selecionou apenas quatro atletas. Dessa vez, ele foi mais conservador, realizando uma troca no Dia 3 apenas.

Por conta da falta de profundidade em algumas posições do elenco, eu esperava mais seleções, porém está cada vez mais claro que Robinson vê pouca diferença entre os UDFAs e quem ainda está disponível nas últimas rodadas. Ao realizar menos escolhas, ele ganha poder de barganha na hora de negociar com aqueles jovens que não escutaram o seu nome no final de semana.

Por conta de algumas escolhas duvidosas de outras equipes, a primeira rodada foi ficando muito boa para o Titans. A necessidade de melhorar o interior de ambas as linhas era clara, e quando entrou on the clock, Robinson tinha muitas opções. O GM acabou indo atrás de um dos personagens mais polêmicos da offseason, o DT Jeffery Simmons (Mississipi State).

Pouco antes de entrar para a universidade, Simmons se envolveu em uma briga de rua entre a sua família e alguns vizinhos rivais. Ao tentar ajudar a sua irmã, ele se descontrolou e agrediu com vários socos Sophia Taylor. Deitada no chão sem qualquer chance de defesa, ela acabou sofrendo lesões na cabeça e no pescoço.

“Não há nada que define o que eles fizeram com a minha família. Meu neto de 4 anos teve que assistir ele agredindo a sua mãe”, declarou Ellen Hairston, mãe de Sophia Taylor.

O indesculpável ato de violência foi filmado, o que levou Simmons, à época um dos principais jogadores do high school, a enfrentar uma campanha contra a sua presença em Mississipi State. O diretor atlético da faculdade decidiu ir contra a opinião pública e ofereceu uma segunda chance ao principal recruta da temporada, evidenciando um dos males do esporte universitário no país, a proteção a atletas promissores.

Todos os envolvidos na briga foram indiciados. Simmons se declarou culpado da acusação de agressão simples e recebeu uma multa de 400 dólares, que ele prontamente decidiu pagar o dobro do valor. Mesmo muito pressionada, Mississipi State voltou a confiar no jovem, liberando-o para jogar na sua primeira temporada, porém sem a participação da estreia do time.

Em seus três anos em Mississipi State, Simmons se tornou um líder dentro e fora de campo. Ele obteve notas altíssimas e por duas vezes foi premiado como um dos melhores estudantes-atletas da sua conferência, a renomada SEC. Ele também participou de todas as ações comunitárias promovidas pela faculdade, chegando a dar palestras no campus e em escolas da região, o que lhe rendeu mais um prêmio.

A presença de Simmons na NFL divide opiniões, e não há por que ser diferente, afinal, ao ser selecionado, ele acaba ocupando um espaço de um jovem que não cometeu nenhuma infração grave durante toda a sua vida. Ele recebeu uma segunda chance e fez tudo que alguém nessas situações precisa fazer, mas ainda estamos falando sobre o autor de uma agressão violenta.

Ser um estudante-atleta é muito diferente de integrar um elenco da NFL. Ao optar por contar com os serviços de Simmons, o Titans muda completamente a vida dele. Assim que assinar o seu contrato, ele vai ser mais um milionário atleta na liga. Dinheiro muitas vezes é sinônimo de liberdade, inclusive nos países mais democráticos do mundo.

Logo após realizar a sua escolha no draft, Jon Robinson e o head coach Mike Vrabel falaram com a imprensa. A maioria esmagadora das perguntas tratava do vídeo de Simmons agredindo sua vizinha. A dupla responsável por comandar o time não fugiu de nenhum questionamento. Afirmaram que nunca colocaram no vestiário uma pessoa “má”. Para eles, Simmons é um jovem que cometeu um erro gravíssimo, mas que desde então não mediu esforços para se tornar uma pessoa melhor.

No dia seguinte, Simmons foi apresentado aos setoristas do time. Ainda sobre o caso de violência na sua cidade natal, ele disse que sabe que errou e que vai ter que conviver a vida toda com o fato de que agrediu uma mulher. A proprietária do Titans, Amy Adams Strunk, também participou da coletiva. Questionada sobre a escolha, ela disse que foi consultada meses antes por Robinson e Vrabel.

“Não demorou para eu ver que esse era o caso de um jovem que se envolveu em um incidente no colégio. Todos nós podemos olhar para o passado e perceber que poderíamos termos feito outras coisas diferentes na nossa juventude. Você pode pedir desculpas e falar que vai ser um homem melhor. Ele fez mais do que isso. Ele se tornou um homem melhor, por isso foi confortável pra mim aceitar Simmons no Titans. É importante para o Jon e especialmente para o Mike a presença de apenas homens decentes no vestiário. E esse jovem é um homem bom”, declarou Adams.

O Titans começou o Dia 2 do draft com o pé direito. Ainda precisando de valiosas peças para o ataque, Robinson não pensou duas vezes na hora de escolher o WR A.J. Brown na segunda rodada. Menos conhecido do que o seu colega de Mississipi DK Metcalf, Brown jogou a maioria dos snaps no slot, mas com a lesão da estrela do time, ele passou a atuar outside e se saiu muito bem. Muitos olheiros consideram essa a grande escolha da franquia no draft. O histórico do Titans com picks na segunda rodada é terrível. Cabe a Brown mudar isso.

Na sua última escolha de sexta-feira, o Titans voltou a reforçar o ataque. Com a chegada de Nate Davis, o time vai adicionar muito músculo à posição de RG. Na pequena universidade de Charlotte, ele também chegou a jogar de RT, mas foi no interior da linha que o atleta de 141 kgs impressionou os olheiros no Senior Bowl. Ao contrário de Brown, Davis divide opiniões. Talvez o jovem não comece o ano como titular, mas como a concorrência não é das melhores, aposto que veremos ele bastante em campo.

O Titans fechou o draft com mais três reforços na defesa. Melhor jogador no board do time, o DB Amani Hooker foi escolhido após realizarmos uma troca com o NY Jets na quarta rodada. Safety em Iowa, ele mostrou capacidade para contribuir no slot, onde o time pode precisar de ajuda caso perca o veterano Logan Ryan no free agency de 2020.

Sentei para assistir o draft com a certeza de que a posição de EDGE era o grande alvo do time. Não foi assim até a quinta rodada, quando Robinson colocou um fim no calvário de D'Andre Walker. Cotado para sair bem antes, o OLB de Georgia precisou esperar a seleção de 167 atletas até ter a chance de comemorar a sua entrada na liga. Com muita mais velocidade do que técnica, ele vai ter que evoluir bastante até conseguir tirar alguns snaps dos veteranos.

Em uma fase em que os times buscam atletas que possam contribuir com o Special Teams, o Titans foi atrás de David Long Jr., ILB que tem tudo para contribuir na cobertura dos retornos.

Com Robinson no comando da war room não há draft comum para o Titans. Ele tem uma linha de trabalho clara na hora de definir quem são seus alvos. Em 2019, o nosso GM teve a sorte de precisar pegar pouco no telefone para adquiri-los. Vamos ver como as novas peças vão se encaixar no time. Agora é trabalho fica por conta dos técnicos.

Ainda me preocupa a rotação de EDGEs, composta por jovens jogadores que se lesionaram recentemente. No momento, a única posição que não preenchemos é a de NT, mas ela é a menos importante da defesa e temos quem possa fazer essa função no elenco.

O Titans ficou mais forte após o draft, mas a que custo? Simmons pode repetir Taylor Lewan e deixar o seu problema extracampo para trás, mas em caso de reincidência, por menor que seja o incidente, ele deve ser cortado. Se Robinson e Vrabel querem mesmo construir um vestiário com homens bons, eles devem primar pelo rigor, independentemente da importância do atleta.

TITAN UP