domingo, 27 de maio de 2018

O draft mais estranho do Titans


Utilizando o jargão do nosso futebol, o draft é uma caixinha de surpresas, e em 2018, o Titans conseguiu surpreender todos os seus torcedores. Se no início do ano alguém me falasse que o Jon Robinson iria selecionar apenas quatro jogadores, sendo dois deles Rashaan Evans e Harold Landry, eu acharia essa opinião ridícula.

Claro que sair do recrutamento com uma dupla de LBs desse calibre é fora de série, porém é sempre arriscado acumular um número tão baixo de escolhas. Foi apenas a terceira vez nesta década que uma franquia optou por selecionar menos de cinco atletas. A lógica diz que quanto mais picks um time tiver, maior a chance de encontrar titulares. Entretanto, não existe uma fórmula de sucesso para o draft. Independentemente da estratégia a ser utilizada, todas as equipes estão sujeitas a erros.

Nesta temporada, eu acredito que Robinson chegou ao draft com a certeza de que o desempenho do elenco foi afetado pelo trabalho da antiga comissão técnica. No período de free agency, ele fez mais contratações do que de costume, buscando qualificar o elenco para que a sua estratégia no recrutamento fosse a mais agressiva possível. Com a chegada de Michael Campanaro (WR), Will Compton (ILB), Blaine Gabbert (QB), Bennie Logan (NT), Kevin Pamphile (OL), Xavier Su'a-Filo (OG) e Kendrick Lewis (S), o GM ganhou a liberdade de fazer quase tudo com as suas seis escolhas.

É importante dizer que antes do recrutamento, o Titans tinha algumas necessidades, mas nada gritante, ao contrário de 2017 e 2016, quando a equipe não podia se dar ao luxo de não escolher um WR e um OT, respectivamente.

Eu não nunca acreditei na chegada de um ILB, afinal, Wesley Woodyard se destacou em 2017, o calouro Jayon Brown mostrou potencial e o Will Compton foi contratado, porém o time entendeu que o Evans é um jogador diferente. Muito versátil, o defensor de Alabama pode ficar em campo nos 3 downs. Em toda a sua carreira em Alabama, o jovem de 21 anos mostrou habilidade para infernizar os QBs em blitzes e atuando como EDGE, o que é excelente para a defesa blitz-heavy de Dean Pees.

“O jogo de Evans pode ser definido utilizando os adjetivos físico, agressivo e explosivo. Sua velocidade e força na hora de alcançar os atacantes saltaram da tela enquanto eu analisava os ataques, então eu dediquei parte do meu tempo a estudá-lo. O mais atraente do meu estudo foi que o estilo do Evans encaixa com as defesas de Vrabel e Pees em Houston e Baltimore nos últimos anos”, disse o analista Brandon Thorn.

Evans não foi muito utilizado na cobertura de RBs e TEs em Alabama, mas Thorn acredita que com as suas habilidades físicas, ele não vai sofre muito na NFL.

“Ele possui o tamanho, a velocidade e técnica para se tornar uma peça fundamental da defesa. Evans ainda precisa aprender a domar a sua agressividade na hora de aplicar tackles, mas ele deve continuar evoluindo com a comissão técnica do Tians”, completou Thorn.

Para entender o que o Titans fez neste draft, você precisa responder a essa pergunta: Harold Landry vale o que o time pagou?

A troca pelo Evans foi muito boa. De acordo com o com a tabela de valores do site Football Perspective, Robinson “pagou” um pick de 5th round a mais do que deveria para subir até a 21ª posição. Já na negociação envolvendo Landry, o Raiders ganhou de troco uma escolha de 4th round.

O histórico do Titans na segunda rodada é muito ruim. Nos últimos anos, o time selecionou incontáveis busts em diversas posições, por isso a torcida sempre fica com um pé atrás, mas Landry vale o risco. Saudável, ele seria um dos primeiros 15 atletas a sair no draft. Problemas físicos e uma queda de rendimento em 2017 fizeram muitos times duvidarem do seu potencial, mas Robinson não pensou duas vezes e fez a troca que pode mudar essa defesa em 2018.

“Ele ainda tem velocidade e a capacidade de evitar os OTs. Landry não é muito alto, porém possui ótima envergadura e força nas mãos. Eu acho que no ano passado ele atraiu muita atenção. Quando você se destaca, na temporada seguinte tem sempre mais um jogador querendo fazer o bloqueio. Não podemos estar mais em êxtase com essa escolha”, revelou Robinson.

Landry vai ter a concorrência de Brian Orakpo e Derrick Morgan, dois veteranos com carreiras muito sólidas na liga. Por esse motivo, o calouro deve entrar em campo nos 3rd downs. Não espere uma produção digna de um Jevon Kearse, mas também não se assuste se ele encerrar 2018 com mais de 6 sacks.

Dane Cruikshank foi o último defensor selecionado pelo Titans. Cotado para sair a partir da terceira rodada, o DB de Arizona caiu até o 5th round. Ao contrário da maioria dos jogadores escolhidos por Robinson, ele chama atenção mais por suas habilidades físicas do que por sua produção no college.
Muitos acreditam que Cruikshank pode facilmente fazer a transição de safety para CB, mas em Nashville ele deve reforçar a rotação dos safeties. A dúvida que fica é se ele pode incomodar Jonathan Cyprien, veterano que pouco agradou no ano passado.

O Titans se despediu do draft em grande estilo. Na sexta rodada, com o pick 199, o mesmo do astro Tom Brady, Robinson foi atrás do QB Luke Falk, mais um prospect que caiu bastante no draft. Muitos acreditam e o histórico mostra isso, que após o fim da quinta rodada o que conta é a sorte. Sendo assim, o mais indicado é acumular o máximo de escolhas possíveis, e foi isso que fizemos em 2017. Nesta temporada, Robinson preferiu ir atrás de um jogador que não deveria estar ali, e de uma posição muito importante. Desde que chegou a NFL, Marcus Mariota nunca jogos todos os jogos da temporada, logo, o QB reserva tem um peso muito grande. Com Cassel, o Titans não era competitivo. Gabbert não é o reserva dos sonhos de ninguém, mas Falk pode se tornar daqui a alg
uns anos.

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