sábado, 17 de março de 2018

Titans na free agency

A montagem do elenco do próximo campeão do Super Bowl começou na última terça-feira. Quando a torcida do Titans já ameaçava um chororô daqueles nas redes sociais, o time surpreendeu com o anúncio da contratação do CB Malcolm Butler, ex-Patriots. Horas depois, Jon Robinson foi atrás do RB Dion Lewis, uma peça fundamental no ataque do atual vice-campeão. Após as duas contratações, a equipe tratou como prioridade as renovações do OG Josh Kline e do DT DaQuan Jones.


Certamente o Titans vai começar a temporada 2018 mais forte do que no ano passado. Mas esses eram os jogadores que a franquia deveria contratar? As renovações foram necessárias? Confira a primeira análise do time na free agency.



CB Malcom Butler – 5 anos, US$ 61 milhões (US$ 30 milhões garantidos)


Em uma liga em que os ataques utilizam 3 WRs na maioria das suas jogadas, você deve investir na secundária a todo momento. Em 2016, o Titans foi atrás do Logan Ryan na free agency e do Adoree Jackson na primeira rodada do draft. Apesar do investimento considerável, a produção do setor continuou muito pobre, por isso não acho que a chegada do Butler seja desnecessária, mas foi bastante surpreendente.


Antes mesmo do início da free agency, Robinson havia deixado claro que queria mais um CB. Rumores diziam que o Titans manifestou interesse em contar com os serviços de Richard Sherman e Dominique Rodgers-Cromartie, dois veteranos cortados no início do mês.


Por canta da forte ligação de Robinson com o Patriots, eu achei que o Butler seria carta fora do baralho, uma vez que ele não jogou o último Super Bowl. Até hoje não se sabe o porquê, porém os indícios mais fortes indicam que ele assistiu a finalíssima do banco por conta de problemas disciplinares. Robinson sempre diz que procura atletas que colocam o time em primeiro lugar, e esse não me parece ser o caso do Butler.


Dentro de campo, Butler conseguiu construir uma carreira muito sólida, principalmente em se tratando de um atleta com atributos físicos bastante modestos. Não estamos falando de um cara rápido, que salta muito ou que tem boa estatura. Butler compensa tudo isso com muita dedicação, agressividade, inteligência e ball skills, algo que Robinson já declarou que é fundamental na posição.


Como toda defesa do Patriots, Butler rendeu abaixo do esperado em 2017. Se ele repetir esse desempenho em Nashville, o Titans não vai encontrar a evolução desejada na secundária. Caso o Butler voltar a mostrar tudo que apresentou há dois, eu posso garantir que a defesa vai começar a tirar os seus adversários de campo muito rápido.


Em seu auge, Butler colocou o WR Antonio Brown no bolso durante o AFCCG. Em duelo com Odell Beckham Jr, o novo CB do Titans também conseguiu um desempenho satisfatório. Em publicação no site The Player Tribune, o WR Emmanuel Sanders afirmou que Butler está entre os cinco melhores jogadores da sua posição.


“Ele me lembra muito o Chris Harris. Ele também tem aquele cachorro dentro dele. Ele está sempre fazendo aquelas coisas extras que tornam a sua vida desconfortável. Ele é um pitbull. Ele é incansável. Ele nunca vai desistir”, revelou Sanders.


Ainda é cedo para fazer qualquer projeção, mas eu acredito que Butler vai atuar junto com Jackson nas laterais, deixando o slot para o Ryan. Quando o Titans enfrentar WRs muito atléticos, Butler pode cobrir o slot, cedendo o seu lugar para o Ryan.


Eu acredito que a secundária vai crescer durante toda a temporada. Além de contar com um grupo de jogadores especiais, o técnico Kerry Coombs é um cara respeitado e com a mentalidade certa para lidar com todos esses talentos.



RB Dion Lewis – 4 anos, US$ 20 milhões (US$ 11,5 milhões garantidos)


A cada segundo que passa, eu gosto mais dessa contratação. Arrisco dizer que o Titans fechou um dos melhores negócios da sua história na free agency. Com Lewis, o time conseguiu um RB que não tinha desde Chris Johnson em seu auge.


Na internet não é difícil encontrar analistas, todos muito respeitados, que elogiaram a chegada do Lewis. Ao programa de rádio The Midday 180, de Nashville, Greg Cosell e Warren Sharp defenderam que ele precisa ser o RB número 1 da equipe.


Se o Titans utilizar o Lewis da forma correta, eu tenho certeza que os números de todo o ataque vão disparar, incluindo do Mariota. Quem pensa que ele vai ser um cara apenas para os 3rd downs está bastante enganado.


“O passe mais eficaz que um QB pode lançar sob pressão é para o RB. O sucess rate é alto. O número de INTs é baixo. Lewis vai ajudar demais nesse departamento. Já lançar a bola para RBs em terceiras descidas é a jogada que menos garante o first down”, afirmou Sharpe.


Ao contrário de Butler, Lewis teve um ano de 2017 impecável. Nos últimos oito jogos da temporada, ele liderou a liga em jardas corridas. No âmbito das estatísticas avançadas, o jogador de 27 anos também se saiu muito bem, principalmente quando a análise se baseava na sua capacidade de criar jardas. Segundo Matt Harmon, Lewis ganhou uma média de 4,4 jardas quando os defensores estavam a menos de 1 jarda de distancia.


A contratação de Lewis ainda foi muito barata. Mesmo com tudo que apresentou no ano passado, ele obteve um contrato com US$ 11,5 milhões garantidos. Entre 2016 e 2017, DeMarco Murray ganhou mais do que isso no Titans.


No início da free agency eu pensei que o certo seria selecionar um RB no draft a partir da segunda rodada, porém Robinson fechou um negócio da China e mostrou o porquê é considerado um dos GMs mais promissores da NFL.


É bom lembrar que em 2015 e 2016 Lewis perdeu diversos jogos por conta de lesões no joelho, mas ele ainda é jovem e tem apenas 329 carregadas na carreira, por isso não acho absurdo pensar que ele possa ficar as quatro temporadas em Nashville.



DT DaQuan Jones – 3 anos, US$ 21 milhões (US$ 14 milhões garantidos)


A renovação com o Jones é um marco na história do Titans. Ficou assustado? Eu explico. Ao deixar a sua assinatura naquelas papéis, o DT de Penn State se tornou o único jogador selecionado pelo Ruston Webster fora da primeira rodada do draft a ficar com o time após o término do seu primeiro contrato. O dado é absurdo e mostra como a franquia perdeu com esse GM paspalhão.


O acordo com o Jones não me agradou muito. Ele é um jogador interessante, que cumpre bem o seu papel, mas na NFL de 2018 você não pode derramar essa quantia de dinheiro na conta bancária de um DL que não pressiona o QB.


Com o Jones o Titans garante uma defesa forte contra o jogo corrido, mas nos últimos anos isso não nos levou a lugar nenhum. Segundo o Pro Football Focus, em 2017, Jones teve o 41º melhor pass pushing productivity da liga.


Como o depth do Titans na DL ficou precário, eu não condeno essa permanência, porém eu esperava outro tipo de reforço.


OG Josh Kline – 4 anos, US$ 26 milhões (US$ 12 milhões garantidos)


Robinson precisava dessa renovação. Kline foi um dos seus maiores acertos como GM do Titans, e deixá-lo testar o mercado seria um pecado. A poucos dias do início da temporada 2016, Kline chegou ao time através dos waivers. Na week 03, ele assumiu a titularidade na posição de RG e desde então se comportou bem.


Não estamos falando de um OL que vai mudar um jogo, mas ele não compromete. Com o time passando a usar o Zone Blocking, o jogo do Kline tem tudo para crescer.





Jogadores dispensados: RB DeMarco Murray, S Da’Norris Searcy, DT Karl Klug, QB Matt Cassel, KR Eric Weems, NT Sylvester Williams


Ao mesmo tempo que foi gratificante se livrar de pesos mortos como Cassel e Searcy, foi surpreendente ver o time anunciar os cortes de Klug e Williams, jogadores que por motivos diferentes não contribuíram muito na rotação da DL. 


Murray, por sua vez, foi um atleta que ajudou bastante o Titans em sua reconstrução, mas que por conta de lesões não conseguiu entregar o necessário para receber o que o seu contrato pedia. Ele até chegou a solicitar uma reestruturação, porém Robinson entendeu que o momento exigia outro RB ao lado do Henry.


FAs que foram para outros times: ILB Avery Williamson (Jets) e DB Curtis Riley (Giants)


Eu acho o Williamson um ótimo jogador, porém para a NFL de 1970. Hoje ele é um atleta que pode ficar em campo em apenas dois downs, e o Titans ofereceu uma renovação nesse sentido, entretanto, o ILB preferiu testar o mercado e encontrou uma nova casa. Desejo toda a sorte do mundo a ele em NY, onde ele vai ter que marcar os RBs e TEs do Patriots duas vezes por temporada. 


FAs que seguem sem time: OG Quinton Spain, OLB Erik Walden, WR Eric Decker, CB Brice McCain, WR Harry Douglas, QB Brandon Weeden e OL Brian Schwenke


Por ser um RFA, o Spain pode voltar caso ninguém bata a oferta que o Titans fez a ele. Não acho que o OG vai fazer falta se sair. Em caso de retorno vai ser bom, afinal, vamos completar três temporadas com o mesmo quinteto na OL. O restante dos FAs prestou um bom serviço ao clube, mas é hora de qualificar o elenco. 

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