sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Caímos no play action


Difícil falar sobre muita coisa após um dos jogos mais patéticos do Titans desde 2015, mas a verdade é que caímos no play action. Não falo do QB, que realmente viveu grandes momentos aqui e mostrou que tinha tudo para se tornar uma estrela. O que aconteceu com ele? Não faço ideia, mas é evidente que a era Mariota acabou. Ele tá quebrado, sem confiança e regredindo a cada jogo.

Nosso problema é que Jon Robinson vai continuar em Nashville por muito tempo, e isso é bem mais grave. Por conta dos resultados medíocres em campo, algo que a gente não via há muito tempo, acabamos caindo no conto de um GM mediano/fraco, que desperdiçou uma ótima oportunidade de transformar essa franquia. Seja no draft ou na free agency, ele errou muito mais do que acertou, e estamos pagando por isso. O elenco segue com buracos enormes, a comissão técnica não parece enxergar como a NFL funciona e a torcida já abandonou o barco. Mais uma vez, vamos passar o ano com o pior sentimento que possa existir: torcer para o time perder. 

A maldição da vitória convincente na primeira semana continua. Que venha mais um 3-13.

TitanUp!

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

A realidade vem junto com o Setembro ... Titans 17 x 19 Colts

Deixa eu esclarecer uma coisa ... Esse é um blog de torcedor, estamos aqui desde 2007, às vezes trazemos alguma informação, de fato, importante, mas a maioria das coisas escrita aqui são apenas opiniões sobre sentimentos superlativos de torcedores, não temos compromisso com a razão, sim com a paixão! Então se você me perguntasse, sábado, antes do primeiro jogo da temporada quantas vitórias o Titans teria esse ano, a resposta seria fácil demais: "16" ... Mas Setembro chega, e com ele a realidade:

"O Titans é um bom time. Não um grande time!"

Ainda estou nervoso com o jogo, não consegui assitir muitas vezes, por que é tanto erro idiota que a pressão sobe, não faz bem à minha saúde! Vou tentar analisar alguma coisa com as duas ou três revisões que fiz ao jogo.



Time de Especialistas, foi bem na maior parte do tempo, entretanto, o nosso Cairo Santos perdeu um field goal de 44 jardas, evidentemente isso não é a causa de derrota, mas não importa se você é um kicker profissional americano, canadense, australiano, brasileiro ou celestial, tem que fazer o FG, ainda mais num time como o Titans que tem seus placares apertados na maioria dos jogos, se você não é um K confiável entre 35 e 50 jardas na NFL, provavelmente, ficará sem emprego logo. Torço pelo Cairo, de verdade, mas torço mais pelo Titans, então, amigo ... Tem que fazer o FG!

Defesa, foi bem, deixou Brissett em cheque na maioria do tempo, deu um boa limitada nas ações do Malon Mack, entretanto tomou um big play de corrida que definiu o jogo. Particularmente tenho visto Evans e Brown os In Side Line Backers (ILBs) lerem os gaps de corrida e atacando diretamente os mesmos, quando se lê corretamente é sucesso, mas temos perdidos algumas leituras e isso, normalmente, se torna first down ou uma big play como foi a do Wilkins ... Outra coisa que está irritando é a quantidade de vezes que os CBs estão sendo queimados, nenhum torcedor do Titans esperava que os CBs tomassem tantas queimadas ... em fim, a defesa está bem, entretanto, eu achava que essa seria uma defesa top 5, a realidade é que ela é um pouco pior que isso ...

Ataque, é o grande problema do Titans hoje, na verdade, acho que são dois os problemas do ataque:
1 - A OL está baleada: estamos jogando com 60% dos titulares, Lewan faz muita falta e a ausência dele acaba afetando o jogo do Stafford, contratado prá ajudar a resolver o problema do miolo da OL juntamente com Kevin Pamphile, o outro guard titular, que, como Lewan, está machucado. Fato é que existe muita penetração pelo centro da OL bem como no lado esquerdo da OL. Precisamos arrumar isso, ou o ataque não vai produzir muito mais do que produziu com passe nos últimos jogos (sim fomos mal com passes e, principalmente terceiras descidas, contra o Browns também).
2 - Mariota - Fato, é decepcionante a atuação do MM8, e pior ainda é sua inconsistência por que não sabemos que dia ele vai jogar como um veterano ou quando jogará como um calouro, que foi o caso aqui ... tem um monte de jogadas nas quais ele teve tempo para lançar a bola, e simplesmente não fez as leituras corretas. Mariota perdeu arremessos em conceitos simples que times de segunda divisão no Brasil usam  tranquilamente ... não achou Davis aberto o dia inteiro, perdeu uma série de arremessos no Walkers e parece ignorar a presença de Humphries. Não olhou para as rotas de Check Down (rota de desafogo usada quando tudo dá errado). Em dois jogos foi sacado 8 vezes, ele parece não ter desenvolvido o relógio interno que diz ao QB "hora de me livrar da bola!" o resultado são esses sacks e conversões difíceis de terceira descida ... Sempre torci para Mariota ser a solução para o Titans, afinal estamos procurando um desde 2006, mas começo a pensar que ele não o é.

Técnicos, o planejamento do ataque foi horrível! Plano medroso! Chamadas de ataque duvidosas. Mariota não sendo orientado sobre quando fazer o spike (jogar a bola no chão para parar o relógio), não indo para quarta e uma jarda em momento decisivo. Não ajustar o ataque ... e por aí vai ... Se você quer sofre mais, aqui vai um estudo do site www.musiccitymiracles.com sobre as oportunidaes perdidas pelo Titans https://tinyurl.com/y4aulcbd ...

Detalhe foi o jogo de aposentadoria das camisas dos grandes Steve McNair e Eddie George! Que belo presente ...

Hoje jogamos contra o Jaguars ... e, claro, até 22:00 me animo com o jogo, entretanto, se o time não jogar o mínimo, será uma longa temporada e o projeto da diretoria "De um bom time para um grande!", continuará sendo uma falácia, como todos os demais torcedores acreditam ...

Nem sei se posso dizer ...

Go Titans


segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Setembro sempre chega! Titans 43 x 13 Browns

Para o bem ou para alegria ou sofrimento, que preferimos em detrimento a falta de futebol americano, Setembro sempre chega. E, dessa vez chegou trazendo alegria!


Pouca gente fora do pequeno círculo de torcedores do Titans acreditavam nessa vitória, mas ela veio. Claro, vão dizer que as faltas mataram o Browns, e realmente elas deram uma boa contribuição, entretanto, vencer na NFL faz parte de um pacote maior do que acontece em campo, e, normalmente, excesso de faltas aponta para um coach staff que não está fazendo o seu trabalho da melhor maneira. Fato é que, vencemos!

Foi um jogo de futebol complementar, defesa, ataque e time de especialistas jogaram bem e, embora o placar tenha sido favorável, existe trabalho a fazer nas três fazes.

O time de especialistas não comprometeu nos retornos. Cairo Santos foi bem nos pontos extra e field goals, teve um bom desempenho nos Kickoffs também. O destaque fica para Brett Kern, com excelentes chutes que posicionaram bem a defesa durante todo o jogo.

O Ataque demorou um pouco a engrenar. Jogando contra uma defesa bem agressiva foi paciente e aproveitou a maioria das oportunidades geradas pela defesa. A OL estava jogando contra dois titulares e isso muita falta, Mariota foi sacado quatro vezes e houveram diversas corridas negativas por conta de serem dominados na frente. Aqui, acho que vale colocar a influencia do novo coordenador ofensivo Arthur Smith - ele procurou quebrar a agressividade da defesa do Browns com screens, tentou algumas antes de acertar uma, onde Mariota encontrou Derrick Henry que levou a bola por 75 jardas. Arthur Smith parece ser bem querido e fez um excelente trabalho determinando as jogadas a serem executadas, pude observar jogadas que foram implementadas ano passado (como a primeira recepção do calouro AJ Brown, que por sinal fez um excelente jogo), e algumas de que ele mesmo implementou como o segundo TD num passe para o Delanie Walker acho que esse OC pode ser bom.

A Defesa foi o ponto alto, como poderíamos prever. Depois da primeira campanha do Browns, o grupo comandado por Dean Pees, atormentou Baker Mayfield o tempo inteiro, evidentemente, quando se joga contra um ataque tão talentoso como o do Browns ser queimado em algumas jogadas é uma certeza. Pees fez bons ajustes e os Brown contribuíram com um monte de faltas ... no fim nossa defesa jogou muito bem. O pass rush ainda não está lá em primeiras e segundas descidas, os OLBs Sharif Finch e Harold Landry estão no segundo ano, e vão aprender muito do monstro Cameron Wake, que foi utilizado apenas em jogadas óbvias de passe, e, acabou com o jogo, tudo ali foi perfeito, a quantidade de snaps e os snaps nos quais foi utilizado, a secundária cobrindo por tempo necessário e o QB adversário não aguentou, foram cinco sacks (dois e meio do Wake), três interceptações fora o baile.

Foi bom, estamos de volta! Vamos ao próximo jogo contra Colts.


segunda-feira, 22 de julho de 2019

A situação dos RBs no Titans


Dando prosseguimento ao nosso especial de pré-training camp do Titans, hoje nós vamos responder à pergunta que assola fãs de futebol americano em todo o mundo: RBs importam? Pode ser que sim, pode ser que não, ou muito pelo contrário. O que importa é que Marcus Mariota vai ter ao seu lado em 2019 uma dupla de RBs capaz de realizar grandes jogadas na nossa campanha rumo ao Super Bowl!

Depois de chutar a bunda dos Chiefs no Wild Card da temporada 2017, Derrick Henry prometia muito para o ano passado, mas como todo o ataque, o seu desempenho foi uma verdadeira montanha-russa. Perto da trade deadline, o Titans cogitou trocar o jogador vencedor do Heisman. Não se sabe o que Jon Robinson buscava naquelas negociações, mas ainda bem que elas não deram certo. Nas semanas seguintes, Henry mostrou quão dominante ele pode ser quando utilizado da forma correta. Foram 585 jardas em apenas quatro partidas, com incríveis sete TDs anotados nessa sequência, incluindo aquela obra prima de 99 jardas contra os nossos maiores fregueses.

O que torna Henry um jogador especial é a sua incrível habilidade atlética. Com 1,91m e 112kg, ele consegue atingir velocidades que vários CBs na liga sonham em ter. Dono de uma envergadura superior a de 90% dos RBs que passaram pela NFL nos últimos 30 anos, ele é capaz de lançar longe inúmeros defensores com o seu stiff arm.

Henry tem tudo para se tornar um RB de 1.300 jardas e 10 TDs na NFL, e é uma vergonha que o Titans ainda não tenha ajudado o craque do Alabama a conseguir tais números.

“Tentar derrubar Henry em campo aberto é um convite à humilhação. Ele é forte demais em movimento para que isso aconteça. Apesar do seu tamanho, ele mostrou ser capaz de confundir os defensores com os seus cortes rápidos e sua incrível aceleração”, escreveu o jornalista oug Farrar, do USA Today.

No início da temporada passada, enquanto Henry acumulava corridas negativas, o veterano Dion Lewis foi o responsável pelo jogo terrestre do Titans. Depois de acumular números expressivos com os Patriots em 2017, ele chegou a Nashville prometendo muito, e com quase mil jardas totais fica difícil dizer que ele não entregou, porém eu esperava mais, principalmente correndo com a bola.

Com Henry e Lewis sofrendo em algum momento da temporada, a conclusão que eu chego é que o Titans não conseguiu tirar o melhor de nenhum dos dois jogadores. A culpa foi do OC Matt LaFleur? Da OL que jogou bem abaixo do esperado? Com o Titans indo atrás de dois novos OGs, parece que o time já tem a resposta para essa pergunta.

Em 2019, eu espero ver um Henry com mais de 65% das carregas. Lewis é uma ótima arma para o jogo aéreo seja recebendo ou pegando blitzes no backfield, certamente o ponto fraco de Henry.

As presenças de Lewis e Henry acabam com qualquer oportunidade para os outros RBs no elenco. No Titans desde 2017, David Fluellen só foi notado pela torcida quando conseguiu algum tackle no Special Teams. Para ganhar uma vaga no elenco de 53 jogadores, o calouro Alex Barnes vai precisar mostrar que pode contribuir na cobertura dos punts e nos retornos dos kickoffs.

terça-feira, 16 de julho de 2019

A situação dos QBs no Titans


O seu sofrimento está perto de acabar. Daqui a dez dias, os atletas do Titans retornam ao CT do clube para o início de mais um training camp. A temporada regular só começa em 08 de setembro, mas até lá, os torcedores mais fanáticos vão poder matar a sua saudade com lances dos treinos e jogos de pré-temporada. O futebol americano está de volta, BITCH! 

Até que Mike Vrabel comande o primeiro treino, você vai acompanhar aqui no nosso blog uma série de textos sobre o elenco do Titans. O plano é explicar tudo tintim por tintim para que você não passe raiva lendo, vendo ou ouvindo o que falam sobre o nosso time fora da nossa bolha.

Mais do que nunca, o QB Marcus Mariota vai ser o centro das atenções no training camp. Titular na franquia desde que chegou à NFL, ele vai jogar pela primeira vez sem saber qual é o seu futuro no Titans. Depois de 2016, parecia impossível imaginar que o jogador do Havaí não fosse o nosso franchise QB, porém duas temporadas marcadas por lesões e regressões nas estatísticas agravaram a sua situação. Não é segredo para ninguém que Mariota vai ganhar um novo contrato se jogar bem e se manter saudável. Fontes na liga dizem que o acordo vai render ao vencedor do Heisman ao menos US$ 25 milhões por ano, um valor justo para as estrelas nesta posição.

Independentemente do que aconteça no training camp, Mariota vai receber US$ 20 milhões do Titans nesta temporada. O montante corresponde ao 5th year option que o time aceitou pagá-lo em 2018. À época, a decisão não foi questionada, e até hoje eu penso que foi o melhor a ser feito. Por tudo que apresentou em campo até nos seus piores momentos, Mariota merece uma última chance com a camisa do time. O que me preocupa é se ele vai tê-la ou não.

Quando digo isso, não falo sobre uma possível perda da titularidade. Mesmo se movimentando na off season para trazer o melhor QB reserva da NFL, o Titans acredita que Mariota é o jogador certo para receber os snaps nos 16 jogos da temporada. Então por que ceder uma escolha valiosa no draft para contar com os serviços de Ryan Tannehill por apenas um ano?

Em suas quatro temporadas na NFL, Mariota perdeu nove jogos por conta de lesões. Este número não é tão assustador, mas se você olhar a quantidade de partidas que ele jogou no sacrifício, não vai ser difícil entender por que ficar saudável é o grande desafio na carreira do nosso QB.

Na última temporada, Mariota sofreu a lesão mais grave da sua carreira. Logo no pontapé inicial, em uma jogada rotineira, ele sofreu um hit no cotovelo. O impacto acabou causando uma lesão no nervo ulnar, o que levou o camisa 8 a perder a sensibilidade de dois dedos da mão direita, justamente aquela que ele usa para lançar a bola. Na segunda rodada, Mariota nem relacionado foi. Na semana seguinte, ele viajou até Jacksonville para ficar no banco, porém Blaine Gabbert precisou deixar o campo por conta de uma concussão. Jogando totalmente no sacrifício, sem poder lançar a bola muito longe e com a velocidade necessária para fazer uma espiral perfeita, Mariota ajudou o Titans a vencer o seu maior freguês por 9 a 6.

Altos e baixos marcaram as próximas atuações do nosso QB. Quando parecia que ele finalmente estava saudável, uma lesão no pescoço voltou a colocar a sua temporada em risco. Dores no pé, uma costela fraturada e um ombro parcialmente deslocado também acompanharam Mariota até mais uma lesão no nervo ulnar, dessa vez definitiva para que ele não entrasse mais em campo em 2018.

Olhando o histórico do Mariota, eu não consigo evitar uma comparação com outro QB do Titans. Em suas primeiras quatro primeiras temporadas na liga, Steve McNair perdeu muitos jogos por contusão e por não mostrar em campo o que era preciso para ter sucesso na liga. Com as costas contra a parede, ele comeu a bola em 1999 e levou o time ao Super Bowl, quando a poucas jardas de virar um jogo perdido diante dos Rams.

Estatisticamente, é difícil falar em evolução do Mariota nos últimos anos, mas ele vem aprimorando o seu jogo, principalmente quando se trata de deep balls e movimentação no pocket. Resta a Mariota ser mais agressivo e mais consistente. No ano passado, ele teve uma atuação de gala contra os campeões do Super Bowl, já na semana seguinte tomou algumas decisões questionáveis contra os Bills. O mesmo aconteceu nas partidas seguintes a surra que demos nos Patriots.

Caso tudo dê errado para o Mariota, o Titans vai ter no comando do ataque o veterano Ryan Tannehill, um QB que tem uma carreira semelhante a do seu titular. Menos atlético, porém com um braço mais forte, o camisa 17 já mostrou que pode vencer jogos importantes nesta liga. Assim como Mariota, ele não tem contrato algum com a franquia para 2020.

Quem completa o grupo de QBs é Logan Woodside. Oriundo de Toledo, ele nunca fez um passe na liga desde que se profissionalizou. Não é alguém que pode incomodar os dois veteranos. Vai brigar por uma vaga no roster de 53 jogadores, o que é bastante improvável de acontecer.

domingo, 28 de abril de 2019

Entendendo o draft do Titans


Na primeira edição do draft da NFL em Nashville, eu permito você fazer a brincadeira de que o Titans fez valer o seu mando de campo. Com uma multidão tomando conta das ruas da Cidade da Música, a franquia voltou a mostrar que sabe organizar uma grande festa e que também deseja fazer essa apaixonada torcida sonhar com algo a mais em 2019.

No início do recrutamento, o Titans tinha uma escolha em cada uma das seis primeiras rodadas, e foi assim que o time terminou o draft. Desde que chegou à franquia, o GM Jon Robinson mostrou que não tem medo de trocar diversos picks para adquirir o jogador que deseja. Em 2018, ele selecionou apenas quatro atletas. Dessa vez, ele foi mais conservador, realizando uma troca no Dia 3 apenas.

Por conta da falta de profundidade em algumas posições do elenco, eu esperava mais seleções, porém está cada vez mais claro que Robinson vê pouca diferença entre os UDFAs e quem ainda está disponível nas últimas rodadas. Ao realizar menos escolhas, ele ganha poder de barganha na hora de negociar com aqueles jovens que não escutaram o seu nome no final de semana.

Por conta de algumas escolhas duvidosas de outras equipes, a primeira rodada foi ficando muito boa para o Titans. A necessidade de melhorar o interior de ambas as linhas era clara, e quando entrou on the clock, Robinson tinha muitas opções. O GM acabou indo atrás de um dos personagens mais polêmicos da offseason, o DT Jeffery Simmons (Mississipi State).

Pouco antes de entrar para a universidade, Simmons se envolveu em uma briga de rua entre a sua família e alguns vizinhos rivais. Ao tentar ajudar a sua irmã, ele se descontrolou e agrediu com vários socos Sophia Taylor. Deitada no chão sem qualquer chance de defesa, ela acabou sofrendo lesões na cabeça e no pescoço.

“Não há nada que define o que eles fizeram com a minha família. Meu neto de 4 anos teve que assistir ele agredindo a sua mãe”, declarou Ellen Hairston, mãe de Sophia Taylor.

O indesculpável ato de violência foi filmado, o que levou Simmons, à época um dos principais jogadores do high school, a enfrentar uma campanha contra a sua presença em Mississipi State. O diretor atlético da faculdade decidiu ir contra a opinião pública e ofereceu uma segunda chance ao principal recruta da temporada, evidenciando um dos males do esporte universitário no país, a proteção a atletas promissores.

Todos os envolvidos na briga foram indiciados. Simmons se declarou culpado da acusação de agressão simples e recebeu uma multa de 400 dólares, que ele prontamente decidiu pagar o dobro do valor. Mesmo muito pressionada, Mississipi State voltou a confiar no jovem, liberando-o para jogar na sua primeira temporada, porém sem a participação da estreia do time.

Em seus três anos em Mississipi State, Simmons se tornou um líder dentro e fora de campo. Ele obteve notas altíssimas e por duas vezes foi premiado como um dos melhores estudantes-atletas da sua conferência, a renomada SEC. Ele também participou de todas as ações comunitárias promovidas pela faculdade, chegando a dar palestras no campus e em escolas da região, o que lhe rendeu mais um prêmio.

A presença de Simmons na NFL divide opiniões, e não há por que ser diferente, afinal, ao ser selecionado, ele acaba ocupando um espaço de um jovem que não cometeu nenhuma infração grave durante toda a sua vida. Ele recebeu uma segunda chance e fez tudo que alguém nessas situações precisa fazer, mas ainda estamos falando sobre o autor de uma agressão violenta.

Ser um estudante-atleta é muito diferente de integrar um elenco da NFL. Ao optar por contar com os serviços de Simmons, o Titans muda completamente a vida dele. Assim que assinar o seu contrato, ele vai ser mais um milionário atleta na liga. Dinheiro muitas vezes é sinônimo de liberdade, inclusive nos países mais democráticos do mundo.

Logo após realizar a sua escolha no draft, Jon Robinson e o head coach Mike Vrabel falaram com a imprensa. A maioria esmagadora das perguntas tratava do vídeo de Simmons agredindo sua vizinha. A dupla responsável por comandar o time não fugiu de nenhum questionamento. Afirmaram que nunca colocaram no vestiário uma pessoa “má”. Para eles, Simmons é um jovem que cometeu um erro gravíssimo, mas que desde então não mediu esforços para se tornar uma pessoa melhor.

No dia seguinte, Simmons foi apresentado aos setoristas do time. Ainda sobre o caso de violência na sua cidade natal, ele disse que sabe que errou e que vai ter que conviver a vida toda com o fato de que agrediu uma mulher. A proprietária do Titans, Amy Adams Strunk, também participou da coletiva. Questionada sobre a escolha, ela disse que foi consultada meses antes por Robinson e Vrabel.

“Não demorou para eu ver que esse era o caso de um jovem que se envolveu em um incidente no colégio. Todos nós podemos olhar para o passado e perceber que poderíamos termos feito outras coisas diferentes na nossa juventude. Você pode pedir desculpas e falar que vai ser um homem melhor. Ele fez mais do que isso. Ele se tornou um homem melhor, por isso foi confortável pra mim aceitar Simmons no Titans. É importante para o Jon e especialmente para o Mike a presença de apenas homens decentes no vestiário. E esse jovem é um homem bom”, declarou Adams.

O Titans começou o Dia 2 do draft com o pé direito. Ainda precisando de valiosas peças para o ataque, Robinson não pensou duas vezes na hora de escolher o WR A.J. Brown na segunda rodada. Menos conhecido do que o seu colega de Mississipi DK Metcalf, Brown jogou a maioria dos snaps no slot, mas com a lesão da estrela do time, ele passou a atuar outside e se saiu muito bem. Muitos olheiros consideram essa a grande escolha da franquia no draft. O histórico do Titans com picks na segunda rodada é terrível. Cabe a Brown mudar isso.

Na sua última escolha de sexta-feira, o Titans voltou a reforçar o ataque. Com a chegada de Nate Davis, o time vai adicionar muito músculo à posição de RG. Na pequena universidade de Charlotte, ele também chegou a jogar de RT, mas foi no interior da linha que o atleta de 141 kgs impressionou os olheiros no Senior Bowl. Ao contrário de Brown, Davis divide opiniões. Talvez o jovem não comece o ano como titular, mas como a concorrência não é das melhores, aposto que veremos ele bastante em campo.

O Titans fechou o draft com mais três reforços na defesa. Melhor jogador no board do time, o DB Amani Hooker foi escolhido após realizarmos uma troca com o NY Jets na quarta rodada. Safety em Iowa, ele mostrou capacidade para contribuir no slot, onde o time pode precisar de ajuda caso perca o veterano Logan Ryan no free agency de 2020.

Sentei para assistir o draft com a certeza de que a posição de EDGE era o grande alvo do time. Não foi assim até a quinta rodada, quando Robinson colocou um fim no calvário de D'Andre Walker. Cotado para sair bem antes, o OLB de Georgia precisou esperar a seleção de 167 atletas até ter a chance de comemorar a sua entrada na liga. Com muita mais velocidade do que técnica, ele vai ter que evoluir bastante até conseguir tirar alguns snaps dos veteranos.

Em uma fase em que os times buscam atletas que possam contribuir com o Special Teams, o Titans foi atrás de David Long Jr., ILB que tem tudo para contribuir na cobertura dos retornos.

Com Robinson no comando da war room não há draft comum para o Titans. Ele tem uma linha de trabalho clara na hora de definir quem são seus alvos. Em 2019, o nosso GM teve a sorte de precisar pegar pouco no telefone para adquiri-los. Vamos ver como as novas peças vão se encaixar no time. Agora é trabalho fica por conta dos técnicos.

Ainda me preocupa a rotação de EDGEs, composta por jovens jogadores que se lesionaram recentemente. No momento, a única posição que não preenchemos é a de NT, mas ela é a menos importante da defesa e temos quem possa fazer essa função no elenco.

O Titans ficou mais forte após o draft, mas a que custo? Simmons pode repetir Taylor Lewan e deixar o seu problema extracampo para trás, mas em caso de reincidência, por menor que seja o incidente, ele deve ser cortado. Se Robinson e Vrabel querem mesmo construir um vestiário com homens bons, eles devem primar pelo rigor, independentemente da importância do atleta.

TITAN UP

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Titans capota em Indianópolis. O que aconteceu?


Há muito tempo não escrevo para o blog e não estava nos meus planos voltar a fazer isso depois de mais uma derrota acachapante para o Colts, mas há algumas coisas que precisam ser ditas. Primeiro de tudo, o Titans finalmente voltou a ter um HC decente e um GM que sabe o que fazer. Não dê ouvidos a quem não assistiu o Titans do início do milênio jogar e que só vai na onda. Jeff Fisher fez um ótimo trabalho em Nashville, e junto com Floyd Reese, ele montou um elenco que deveria ter vencido o Super Bowl. Além de ter batido na trave em 99, no ano seguinte tivemos a melhor equipe da NFL. A sorte não sorriu para a gente em dois jogos cruciais e ficamos sem o cobiçado anel.

Após a saída da dupla Reese e Fisher, o comando da franquia ficou em mãos cada vez mais incompetentes. Quando ninguém imaginava que era possível existir um HC pior que o Mike Munchak, eis que surge Ken Whisenhunt. Depois do fiasco da gestão de Mike Reinfeldt, Ruston Webster mostrou que é possível errar em 95% das suas escolhas no draft. Até quando ele acertou, escolhendo Taylor Lewan, ele pegou o cara errado, afinal, logo depois Odell Beckham Jr. e Aaron Donald foram selecionados. 

Jon Robinson é um GM competente que vai nos manter na briga pelos playoffs por muitos anos. Acho que ele poderia ter feito mais com os nossos picks no draft, porém não dá para reclamar com alguém que trouxe ao time uma série de bons atletas. Vrabel, por sua vez, já calou os seus críticos. Em uma temporada em que aconteceu quase tudo de errado em Nashville, ele manteve o time com pegada certa e conseguiu algumas vitórias que ninguém esperava. Vrabel é arrojado, moderno e um líder nato. Nunca pensei que gostaria de ver as entrevistas coletivas de um HC após as derrotas, mas com este cara tudo é diferente. Ele não inventa desculpas e explica tudo que você precisa saber.

Sobre a nossa nona derrota para o Luck, eu digo o seguinte: você sofre mais quando é ignorante. Burrice e teimosia não levam ninguém a lugar nenhum. Se você ainda não entendeu, vou explicar: Luck é um HoF QB que vai infernizar a nossa vida até o dia que ele se aposentar ou mudar de equipe. É obvio que o maluco não “mitou” nesses nove jogos. Em algumas vitórias contra o Titans o cara não foi bem, mas do outro lado tinha um time muito ruim incapaz de vencer jogos importantes. A fase em que o Luck ruim podia ir mal já passou. Colts está em boas mãos e eles sempre serão os favoritos ao título da divisão. A NFL é a nova BIG 12. Esta é uma liga de QBs. Quem tem o melhor, logo, torna-se o time a ser batido.

O Titans se preparou mal para a partida contra o Colts? Não sei dizer, realmente. Eu acho que o Titans jogou mal contra o Colts, cometendo erros que não vimos nas vitórias contra Cowboys e Patriots. Somos o time mais disciplinado da liga e entregamos algumas jardas cruciais por conta de faltas idiotas. As big plays voltaram a ser um problema. Já a pressão no QB não apareceu em momento algum. Fora de casa e contra um ataque voando, você não vai arrumar nada atuando assim.

O ataque foi o que matou qualquer chance de vencermos no Lucas Oil Stadium. Quando o Titans precisava de mais uma boa atuação do Mariota, o nosso QB fez um dos seus piores jogos. É difícil criticar o havaiano, afinal, é com ele que a gente pode chegar a algum lugar, porém o garoto do Oregon não pode seguir com essa inconsistência.

Com um terceiro esquema em quatro anos, você entende que o QB sofra um pouco, porém isso não afeta precisão. Mariota voltou a perder o Luke Stocker em uma jogada que poderia ter nos rendido o TD. Ele também sofreu demais com as blitzes do Colts. Foi uma surpresa ver o nosso oponente atacando a OL com mais de 4 homens, mas isso não justifica tantos problemas assim. Não marcamos TD no primeiro drive porque o Colts foi mal, e sim porque o Mariota não completou jogadas que um QB titular precisa fazer. Não era nada de outro mundo achar o Sharpe no meio do campo para um ganho de mais de 20 jardas, não era nada impossível acertar o passe para o Stocker e muito menos encontrar o Batson livre no 3rd down que acabou em sack. Não digo que venceríamos o jogo por conta dessa hipotético 7 a 0, mas é inegável que a partida seria outra.

No drive seguinte o Mariota também perdeu um WR livre. Na sequência veio a INT e o jogo já estava fora do nosso alcance.

A culpa não é toda do QB. Pra mim, o vilão é o LaFleur. Você é um técnico jovem, que trabalhou com duas mentes brilhantes, e o que você tem a oferecer são essas corridas para poucas jardas nas primeiras descidas? Sério, cara? Com a NFL desse jeito você acha que o time tem mais a ganhar dando a bola para Lewis e Henry? Prefiro perder com o Mariota fazendo 40 passes do que com essa dupla de RBs terminando o jogo com um sucess rate pífio. Por que a defesa pode ser agressiva e o ataque não?

Não defendo demissões. Acho que Mariota e LaFleur merecem uma segunda chance, porém o Titans precisa trabalhar com a hipótese de mudança em 2020. Não se investiu muito nesse ataque para a gente ficar entre os piores. Eu sei que as lesões não param de aparecer, mas você precisa driblar tudo isso. O QB é bom, a OL tem atletas talentosos e o Corey Davis é um WR bastante competente. Tá na hora da galera tirar o pau pra fora e começar a bater na cara dos nossos rivais.

É isso aí. Ainda tem muita água para rolar debaixo dessa ponte e o nosso schedule fica bem acessível no último mês do ano. Dá pra aprontar ainda, mas o time precisa jogar bem, com a defesa levando por volta de 20 pontos e o ataque chegando perto dos 30.

TITAN UP!